Antes de começar, dois adendos:
- Resolvi editar apenas 90% do que a Lorelay manda. Pq acho divertido quando ela mistura algumas coisas e pq vai dar para deixar abreviaturas estranhas como srsly, LOL, essas coisas. Antes, eu procurava o significado para depois colocar “no ar”. Trato nosso, de qualquer jeito. Não me imaginem como uma censora, por favor.
- Esqueci. Tinha a ver com o fato de que nem sempre eu preciso de metáforas e que não é tão difícil escrever sobre algumas coisas... Talvez seja só um espírito competitivo aflorando, mas, não, não me analisem, ok?
Bem, lá vai: No “período temático” vem ao ar um texto descritivo, comentado sobre algo que normalmente a gente não costuma escrever. Desafio duplo, uma escolhe um, outra escolhe outro, Não sei se isso dura, só sei que não dá para escrever com personagens, por definição.
Agora, lá vai...
Fiquei na dúvida em classificar o desejo. Uma espécie de calor? Uma espécie de sede? Uma espécie de fome? A primeira é óbvia. Metáfora batida, por assim dizer. Entre a sede e a fome, outra dúvida permanece. A sede é mais rascante, mais premente, mais exigente, e, portanto, está mais a fim de um sentido (ou sentimento) como o desejo. Na segunda, mesmo que agora muita gente se revolte, a gente pode somar de maneira mais convincente outra coisa que eu acho essencial ao desejo: o controle (tá, ao menos para mim, é mais fácil controlar a fome do que a sede.)
E o que sabes de desejo, se falas em controle?
Exatamente isso. É como ser sugado, para um lugar escuro, em que tudo se perde. Não em um mal sentido, veja bem. Quando o desejo assalta, ele tem uma existência completa e exigente sobre a pessoa a quem toma. Pois bem, voltemos ao escuro – ou claro, que seja. Aonde quer que a gente seja levado, há só uma coisa, desejo, puro e simples, vontade desenfreada e sem raciocínio. Busca. Desejar é como respirar quando se afoga, luta de instintos. Doce e acre ao mesmo tempo. Por que aí vem a diferença básica, onde cabe o controle.Diferente da necessidade de respirar, para o desejo vem antes uma vontade, uma projeção, um sonho.
E lá, no momento da queda, como numa montanha russa, no momento de perder-se, sempre se pode respirar e escolher o rumo. Desejar não é como respirar, e por mais forte que seja a fome, como advém de um sonho, sempre se pode escolher o caminho para alcança-lo.
E não adianta citar Blake: "Aqueles que reprimem o desejo assim o fazem porque o seu desejo é fraco o suficiente para ser reprimido".
Quanto mais forte o desejo, mais existe o controle.
É o que faz afogar-se e aplacar a sede uma coisa tão intensa.
Teve uma época que eu achava que banalidade era uma coisa que vinha das bananas. Algo a ver com o som, sabe? E eu nem entendia que realmente poderia haver bananas infinitas no mundo, nem mesmo entendia o que era “preço de banana” pq, normalmente, se eu tivesse dinheiro para comprar bananas, gastaria
Ou não.
Parece que ananás e abacaxi são espécies diferentes para uma mesma coisa. Como a banana da terra e a banana maçã. Eu não gostava das primeiras, porque, sei lá, não gostava. Achava que era porque as bananas da terra vinham do mesmo lugar que as beterrabas. E existe alguém que pode realmente gostar de beterrabas?
Tem.
Minha mãe gosta.
Mas eu sempre achei horrível.
E se a banana da terra vinha do mesmo lugar que a beterraba, a banana maçã vinha do mesmo lugar que as maçãs. Pequena, doce, ácida. Sempre que eu penso nas bananas-maçã, lembro mesmo é do meu avô. Os olhos claros e serenos como um lago. (E não é só metáfora. É a única coisa que dá para descrever o meu avô) Ele se abaixava, para encarar a gente nos olhos. E sempre trazia bananas maçã do sítio, ele sabia que eu gostava delas. Para mim. A banana pequenininha para a menina pequenininha, ele dizia com voz rouca.
No fim, bananas não têm a ver com banalidades. Banalidades são o que nos fazem acreditar, todos os dias, que é a vida.
Também são banalidades os conselhos, os valores e os ruídos sociais. Assim mesmo, na mesma linha, como uma mesma coisa, com o mesmo valor.
Bananas são frutas, e talvez lembranças.
Banalidade é todo o resto que nos guia.
Marcadores: comentário, opinião, remanescências
Que Chico, oras? Aquele, o filho do Sérgio!
---
O Chico é quase uma unanimidade. Perfeito. O Johnny Deep tupiniquim. O homem que toda mulher queria para si. O que traduziu a alma feminina como ninguém... etc, etc. Clichê ou não, lembro que uma vez, eu devia ter uns 12 anos, ouvi minha mãe falar do Chico: “Virou cantor, porque compositor ganha pouco no Brasil, mas a voz não é tão boa quanto as letras, ele é um dos melhores letristas do país, veja só”. Acho q ela queria ensinar para a gente que nem sempre se valorizam as idéias. Mas elas devem ser vistas. Não lembro, mas era um tipo de papo comum lá em casa.
De qualquer jeito, eu amava o Caetano, desde sempre. (ta, mentira, eu passei pelo amor do Milton e do Ney primeiro) Mas era o Caetano que era baiano, que tinha a voz mais bonita, que gravou Vampiro, e Elegia, e... Enfim...
Por muito tempo, o Chico era um conhecido respeitado para mim, nada além disso. Ah, ele canta, tem músicas lindíssimas... Definitivamente, admirável, mas não apaixonante.
---
Quando a gente resolveu que aquele menino ia se chamar Francisco, minha mãe preocupou-se: filho meu não pode ser chamado de Chico, é um apelido feio. Kiko, resolvemos, e ele ganhou um nome e um apelido, quase no mesmo dia.
Amado Kiko. Todo mundo sabe que o maior presente que eu recebi foi o meu irmão. O adoro, assim, por que ele existe, por que ele é. Ponto. E acho Francisco um nome verdadeiramente lindo, daria a um filho, se não tivesse um irmão com esse nome. Afinal, trata-se de um revolucionário. (outro Chico, o de Assis.)
É engraçado isso... nomear um filho, como uma grande homenagem, no fim, todos buscamos um tantinho de eternidade. Filhos de Cronos, a procurar uma antropofagia reversa? =D (só eu gosto dessa analogia)
----
E eu lembro quando o outro Chico foi realmente meu. Assim, uma estorinha estranha, onde eu tinha q escolher um cd, Chico duplo ou Gal, e apesar de ter passado dos 3 aos 12 chamando a Gal de rainha e sacudindo os cabelos para ser como ela (ou a Clara Nunes, porque eu era, como todas as crianças, uma infanta cheia de sonhos) eu disse: Chico. Chico ao vivo – 1999.
Ouvi os dois, no mesmo dia. E disse: O meu é mais bonito. Meu pai concordou, e eu lembro porque virou mais um capítulo de uma doída disputa. Na verdade, ouvi muito mais o Cd 2. Estranhamente, era o acalanto. Uma cantiguinha da alma. Sabe? Quem foi criança q ouvia os pais cantarem antes de dormir, entende. As musiquetas consolam um tremor pequeno, que a gente não sabe por que tem. Ouvir o Chico era como um afago em uma parte do tremor, que nunca cessou.
Como explicar o que a gente sente? O fato é que bancarrota blues, ou as vitrines, futuros amantes, Iracema voou – eu cantava tanto essa... São do tipo de música que passa direto... Eu não conseguia pensar direito sobre elas. Apenas acumular sensações, como o mestre Caeiro se orgulharia.
É tua respiração...”
“Olhando meu navio/ O impaciente capataz/ Grita da ribanceira/ Que navega pra trás No convés, eu vou sombrio / Cabeleira de rapaz/ Pela água do rio/Que é sem fim
E é nunca mais...”
As angústias cantadas do Chico saram, um pouco, aquela dor que eu não sei de onde vem. Sensação que rebate sensação.
E quem entende, normalmente, eu chamo de irmão.
Presentes, da mesma forma daquele que não podia ser Chico.
De maneira nenhuma.
Este é um post efeito dominó. Veio a partir daqui ó. Ou: foi motivado a partir da discussão com esse membro da máfia... :D
São milhares de culpas cuidadosamente empilhadas e retiradas graças a um sem número de punições. Choro, ranger de dentes, inquisição. Ímpetos refreados e existências em crise. O pecado.
“Somos forçados a negar a tríplice aliança, os três
mosqueteiros, o triplo poder supremo... Enfim!
A Santíssima Trindade”.
Apresento-lhes: a tequila, o rock´n roll e a luta.*
A última, modificada para que a coisa fique mais “carnal”.
A tequila, pelo modo que permanece logo no primeiro gole. Forte o suficiente para o pouco parecer excesso, amaldiçoada por ser a mistura perfeita de dois venenos.
O rock´n roll pelo modo que mexe com as entranhas, ocupando, sem pedir licença, os pensamentos. Conquistando para sempre – uma definição perfeita para o pecado, a meu ver.
E a luta – bem... Sangue e suor. Ou pelo menos suor e combate. Sensação de fim da linha. Coragem nas veias. Contato. Adrenalina. Esquecimento. Você e a força, a selvageria que o mundo moderno quer retirar a de nós a todo o momento. Os olhos do oponente – e ainda que de maneira civilizada e leve – inimigo. A destruição, ali. Palpável. A destruição, ali. Possível e desejada.
Ainda que, por adendo, deva acrescentar que a luta só é boa quando há acordo. Desejo de combate, de ambos os lados. A violência desregrada não tem sabor, por que lhe falta honra. Coragem. E o pecado é meu, eu posso dar honra a ele.
Esse pecado que seduz, que doma, que conquista, que arrebata e nos liberta do peso.
Ta no inferno? Abraça o capeta! Encara o demônio de frente, derruba-o na voadora, se possível.
Nada de se contentar com o que está ao alcance dos botões virtuais. Nada de descer o barraco em comunidade do orkut. Sejamos fortes, encaremos a dor. A tequila. E o rock, pois sem ele, nada tem tanta graça.
Nada de nos economizar e proteger. Verdades, que venham.
Tequila, rock e luta. Não exatamente assim, e sempre de maneira consentida. Mas aqui vamos nós.
* Inicialmente, era para ser o livro. Mas resolvi colocá-lo no nirvana completo e absoluto, junto com a rede e o pão com ovo. Vem do entendimento que os pecados devem mexer mais com os sentidos. Mas isso pode ser questionado, afinal. Quer envolvimento maior que uma boa leitura? Não para mim. De qquer jeito, o livro é o anjo-demônio, não sei se dá para ser pecado...
Ps: sim, eu adorei clube da luta. Aliás adoro bons filmes de luta. Mas sou absurdamente contra a violência.
Marcadores: comentário, divagação, opinião