Conto antigo, dos arquivos.

Não estou certa sobre ele.
Por isso, vem em partes.
Ou não.
É a inspiração para a história do novo ano, afinal, antes, isso deu certo.
A não ser que eu mude de idéia.


Havia um grande lago no caminho.
Diziam, sempre, que uma grande maldição estava escondida em suas entranhas.
Como um polvo, enrodilhado em águas escuras, escuras.
Mas elas não eram tão fundas, como se poderia supor.
Mantinha, o lago, placidamente o seu ofício de esperar.
Se fosse uma pessoa, poderia se dizer que era algo tedioso. Afinal, todos desviavam o caminho. Quase todos, ao menos. A maioria.
Mas o lago, com a sua natureza de ser eterno, apenas esperava.
Muito de quando em quando, um covarde passava por ali.
Era sempre engolido pelo lago, que tragava seu medo. O mesmo medo que o impedia de respirar e socorrer-se.
Simplesmente, a pessoa ia avançando, a passos curtos. E a água, tão plácida e agradável, nem quente, nem fria, ia envolvendo completamente.
Exatamente no meio do caminho, a agua cobria tudo
Um momento só. Tão breve.
Mas o suficiente para que a escuridão envolvesse o coração do viajante. E o seu medo mais escuro observava, bem de perto. Até que a pessoa se esquecesse de respirar. Era tragado pelo medo.
Mas existia o tipo de pessoa com a coragem de um soldado. Aqueles, que não tinham medo nenhum. Apenas por não poderem imaginar. Não tinham escolha, só faziam seguir.
Eles nunca chegavam ao fim do lago. Vez ou outra, a correnteza os devolvia, atarantados, ao ponto de partida. Em outras ocasiões, apenas não conseguiam entrar e atravessar, como se o lago não existisse.
Era por isso que ninguém, ou quase ninguém arriscava-se pelo caminho do grande lago.
Seria uma tarefa hercúlea, se tais pessoas tivessem ouvido falar de hércules.
Curiosamente, o nome do lago era espelho.

Pelo menos, foi o que foi dito para o único que conseguiu atravessar e contar essa história.

Adestrei-me com o vento e minha festa é a tempestade.
Cecília Meireles

ah...

Cresci em um apartamento.
Na verdade, em dois.
Não importa...
Mas ajuda a entender quando digo que o vento foi meu primeiro amigo.
Ele espalhava as folhas, que eu levava na área para desenhar
Ele me ensinou o eco.
Ele espalhava os gritos e canções infantis.
Ele soprava, sal, chuva, aromas... quando eu não podia sair
Embaralhava o meu cabelo.
Me ouvia ralhar com ele, por muitos motivos
E levava minha risada, como se fosse a sua.
E voltava, sempre e sempre.
Existem coisas, que eu só contei para o vento. Tinha certeza de que ele era um ótimo confidente.
Soprava as vezes, pelo vão das janelas. Deixei de ter medo de monstros embaixo da cama, por isso.
Por isso também, eu sempre achava graça das pessoas, quando elas diziam que o lugar onde vivo agora parece assombrado e assustador.
O vento sempre sopra, por aqui.
Chega a uivar, as vezes. As pessoas tem medo. Mas não tem como ter medo do seu amigo mais antigo, não é?

Agora, há um outro tipo de vento.
Muda as coisas de lugar e desperta.
É morno e doce.
Carrega tantas coisas... Estórias infinitas, músicas, novidades...Novos sentidos e sensações.
As vezes, em seu mundo, carrega as angústias de uma realidade sufocante e falsa.
As vezes, leva a revolução. Complexa. Utópica. Detalhada. Enxerga com olhos de águia, o que há de estranho, o que pode ser mudado.Ou não...
Sempre me faz sorrir. De perto, como explosão, de longe, como saudade.
Assusta, por breves segundos. É indefinivel.
Me traz piparotes diferentes de presente, embrulhados em paz e surpresa.
As palavras parecem desajeitadas. Tantas pequeninas coisas imensas.
Estar feliz é outra coisa.
Estou aprendendo, todos os dias.

É o vento, que sempre há. Meu furacão.

Natal

Todo mundo comemora alguma coisa.
Em todo canto, em qualquer época.
Mas no meio das fitas, sempre eu fico com a sensação de alguma coisa foi esquecida.
Irremediavelmente.


Mas a razão oculta das coisas, é que elas não tem razão nenhuma.

Já diria o City Black: Mas não faz mal... pq depois melhora tudo, ah... no carnaval!

Oração da insônia.

Alguém, aí, por favor, fala comigo?
Há um desassossego...

Quieta...
Silencias, o quanto podes...
Não o sussurar dos covardes
Apenas espera, como uma folha...

Não posso.
Por mais quieta que esteja
Não dá para silenciar o turbilhão da mente.
Não há, pelo menos, não o suficiente, a inocência dos que aguardam.

Por todos os lados, deuses, por todos os lados... só existe o pensamento
turbilhante, inconcluso.

Silencia!

Não posso.
Não sei exatamente quem calar, enquanto não escolhi o que posso ser.
Ah, Deuses! fazem-me como vós, a não pensar nem importar-se.
Livrai-me de todo mal.
Livrai-me de mim.

Entre ir e voltar... ou espera, espera (era para ser uma menção a prima dona, mas eu ando burra para isso)

Como meu ídolo Ricardo Reis, eu acredito em todos, todos os deuses. O kiko me disse, ainda ontem, que isso era o mesmo que ser ateu.
É provável, pois do mesmo modo que meu ídolo Fernando Pessoa (ops... serão o mesmo?) acredito exatamente que os Deuses são Deuses por que não pensam. Não se importam muito cá conosco, salvo situações bem específicas.

Cá estamos, portanto. A olhar para todos os Deuses e pensar neles, ou a reclamar de todos, pq, afinal, se são deuses, que fazem que mantém o mundo de tal maneira vã?

Pequeninas lições, talvez. (Ainda que as pequeninas lições estejam em todos os lugares, até no Harry Potter - ééé... eu vou chegar nisso, então desista enquanto é tempo.)

Lembro do Atlas. Um amigo disse uma vez que se sentia como o Atlas a carregar um mundo imenso nas costas. Pesado. Permanente. Sem salvação.
Lembro-me como pareceu cruel. Imagina? Quem daria um mundo de coisas para outro carregar? A gente não faz isso.

Bobinha.

A gente faz. Mas nada tão imenso quanto o pobre Atlas. O que andamos a jogar por aí a todo momento são as expectativas. Tão pequenininhas, que mal há nelas? Bolhas...

Algumas doem muito qdo se partem. Em nada mais q um segundo. Um peso imenso...

Maya, diriam os budistas... Ilusões e caos. (opa, agora citei os hindus!)

Um dia, como o ídolo, aprenderei com a eterna criança... Vãs são as expectativas. E olharei o mundo como coisa única, por mais pós moderno que isso pareça.

E a Vanessa diria que isso é tão imenso como desejar Laran.

Não importa. Aprendi sobre o desejo e suas asas este ano. Provavelmente aprenderei com a queda, toda a vez. Até que, como quando a gente faz tatuagem, a dor não importe mais.
Nada a ter, nada a esperar, tudo a receber como um presente.

E as únicas expectativas que quero carregar esse dia serão as do spectrum patrono... para proteger dos dementadores, que, sugando todas as lembranças boas, tentam convencer todos a desistir antes de nada querer. (Eu disse q ia falar do Harry Potter!)

Pequeninas lições, eu falei. Não que esse texto tenha sentido, ou queira dar um conselho. Apenas não quero esquecer, enquanto saio por aí a estourar bolhas. Pelo menos as bolhas que me pesam e não me ensinam a voar.


PS: A postagem original tinha uma porção de links, mas estou em um dia de azar, intenso e esquisito. Eles se perderam. Talvez, qdo a raiva passar, eu volte aqui e arrume. Talvez não.

música

um pássaro na mão
um pássaro no ar
um pássaro que vem
um pássaro que vai voltar
pro seu lugar

e pelo mar do sul
azul imensidão
bem longe daqui
livre de toda pressão
da minha mão

na paz do vôo só
na paz da imensidão
a luz quase se vai
e eu vou com ele viajar
no vento me deixar levar

eu vouÂ… acima de qualquer radar
eu vouÂ… aonde ninguém mais possa me achar
eu vouÂ… abaixo de qualquer radar
eu vouÂ… aonde ninguém mais possa me achar

o tempo já passou
é hora de voltar
sobre a imensidão
um pássaro vai me levar
vai me deixar

na paz do vôo só
na paz da imensidão
a luz que já se vai
eu vou com ele viajar
no vento me deixar levar


É, eu fui.
Tinha uma guitarra cheia de estrelas.
E uma porção de alentos. Bem de perto, quase na frente do palco.

...

A lua muito cheia.
Tão bonita, alta... solene
Quase risonha.
O vento, frio, de revoadas.
Frio e cantante.
Nada parava no lugar.
E no caminho, enquanto sentia frio...
Melancolia.
Nunca vou ser o que se espera;
Tão difícil viver com isso...
A lua, tão alta e solene.
Frente a alguém tão pequeno.

Olhando para o alto.

Não dá para saber exatamente desde quando, mas há uma espécie de tranquilidade - especificamente humana - ao olhar para o céu. Acredito que é por isso que todas as civilizações tinham algum oráculo voltado ao firmamento; Além da incessante busca pelo saber, pelo futuro, pelas certezas, ele deveria dar uma espécie de paz.
Todos iguais, filhos do mesmo céu.
Meu avô disse isso uma vez. Que o verdadeiro ensinamento de uma igreja era de que todos nós erámos filhos do mesmo céu. E caminhávamos abaixo do mesmo firmamento. Era isso que unia as pessoas, ele explicou.
Claro, não foi com essas palavras. Mas eu não lembro as palavras, mas a idéia, o senso de igualdade daquilo.
É o que me arrependo, do último fim de ano. Não deitei na grama molhada e fria para olhar o céu. Estava gripada, com febre e medo. Lembro de ter dito ao meu irmão: se eu pudesse estaria aí com vc! E ele disse a mesma coisa: estamos todos olhando o mesmo céu.
Mas quando se deita, ouvindo a terra, a sensação de infinito é maior.
Brilhem estrelas ou caminhem nuvens.
Por mais que eu acredite nisso, há uma igualdade difusa a perseguir e construir.
Estamos todos embaixo das mesmas banalidades e problemas, alguém diria. E as vezes, caminhamos com a nuca tão baixa que não dá para ver o céu.
Procuro despertar todos os dias.
Saber que estamos todos no mesmo caminho.
É mais fácil fazer isso quando se está feliz. Quando se partilha algo. Grande como uma nuvem, leve como uma brisa, brilhante como uma estrela, misterioso como a escuridão. O que quer que seja.
Estou a todo o momento olhando para o alto.
E por mais que escreva, sei que muitas vezes calo quando deveria cantar. Devem ser as banalidades apertando a minha nuca. Ou um senso de dever, que alimenta a busca.

Talvez apenas Quintana sussurando sua confissão:

Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios
Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece...
Mas,
Em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto!



E caminhamos todos, abaixo da abóboda celeste.

e eu não consigo parar de ler... =)

A TAZ COMO UMA TÁTICA radical consciente emergirá sob certas condições:

l. Liberação psicológica. Isto é, nós devemos perceber (tornar reais) os momentos e espaços nos quais a liberdade não é apenas possível, mas existente. Devemos saber de que maneiras somos de fato oprimidos, e também de que maneiras nos auto-reprimimos ou estamos presos em fantasias onde idéias nos oprimem. O TRABALHO, por exemplo, é uma fonte muito mais real de sofrimento para a maioria de nós do que a política legislativa. A alienação é muito mais perigosa para nós do que as velhas ideologias desdentadas e moribundas. O vício mental em "ideais" - que na realidade tornaram-se meras projeções do nosso ressentimento e do nosso complexo de vítima - nunca levará nosso projeto adiante. A TAZ não defende uma utopia social feita de castelos nas nuvens que diz que devemos sacrificar nossas vidas para que os filhos de nossos filhos possam respirar um pouco de ar livre. A TAZ deve ser o cenário da nossa autonomia presente, mas só pode existir seja nos considerarmos seres livres.

2. A contra-net deve se expandir. Atualmente, ela representa mais abstração do que realidade. Zines e BBS trocam informações, o que é parte do fundamento necessário para a TAZ, mas pouco dessas informações lidam com os bens concretos e os serviços necessários para a vida autônoma. Não vivemos no ciberespaço; sonhar que o fazemos é perder-se na cibergnose, na falsa transcendência do corpo. A TAZ é um lugar físico, no qual estamos ou não estamos. Todos os sentidos estão, necessariamente, presentes. De certa maneira, a web é um novo sentido, mas que deve ser adicionado aos outros; e os outros não podem ser subtraídos da web, como em uma terrível paródia do transe místico. Sem a web, a completa realização do complexo da TAZ não será possível. Mas a web não é um fim em si mesma. É uma arma.

3. O aparato de controle - o "Estado" - deve (ou pelo menos assim devemos pressupor) continuar a desfazer-se e petrificar-se
simultaneamente, deve prosseguir em seu curso atual, onde a rigidez histérica cada vez mais mascara um vazio, um abismo de poder. Como o poder "desaparece", nossa ânsia de poder deve ser o desaparecimento.

projeto de férias

Montagem de uma Zona Autônoma temporária!
Dentro da academia.
Rusen libertário.
Acho q achei o meu projeto!



Pq tudo fica simples, quando a gente fica simplismente, FELIZ.

Carta da Madrugada...

Taí, um texto por impulso absoluto – o que pode transformá-lo em um texto apagado em horas, ou dias.

Um dia de Caos. Todo mundo anda com um desses a espreita, às vezes eles vem até de carreirinha. Meses, semanas, vidas.
E a vida toda passa a fazer sentido contrário.
Por tanto tempo, estive com tudo muito certo ao meu redor. Compartimentalizado e escolhido.
Ou assim pensava, enquanto saía por aí a executar o que se espera.
Tão linear que orgulharia a qualquer metódico. Por que faz o que faz? Apenas porque é a parte que me cabe.

Mas me coube acolher um furacão benigno e travesso. E o que parecia sem sentido, ou secundário, ou adormecido passou a fazer toda a lógica. Desestabilizadores a significar de novo o que se vive. E tão devagar, e tão depressa.
Ando feliz, e ando leve. E o que deveria, senão agradecer?


Mas nada mesmo na vida é uma linha. E a outra parte, tão privilegiada por tanto tempo, eis que vira uma dúvida, um peso, uma preocupação. Despertar? Ver o que não se via?
Quem traçou mesmo, esse caminho que ando seguindo tão despreocupadamente?
Não sei mais.
Ando confusa e ando triste também. Como duas pessoas em duas vidas.

E os fraternos me recebem e me acolhem, com uma parte de mim que ninguém vê.
E o cinza vira aceitação, em brincadeiras e olhares secretos.

A vida surgiu do Caos.
Uma nova vida? A que eu construir, em meu tempo.

Acho que tenho mais a agradecer; É só não esquecer de olhar para os lados do caminho.
Desassossego, agora, no que eu sempre achei inquestionável;
Espero ser forte o suficiente para desbravar todo o resto.

poeminha da Ira de segunda

Morram todos, morram agora.
Apaguem-se, seja com cometas, seja com estrelas
morram todos, sufocados em suas besteiras
Não falem, não tentem
A verdade é que não há o que entender
Mentiras da mente.

E a gente continua, como um motor a fazer barulho.
Sejam arrulhos
sejam gritos
Caminhadas de paz, incoerentes conflitos
Adiados todos
constante delito
Ao fingir que a morte
não é a única constante em nossas estranhas
e incoerentes
existências.



Para a deusa sekmet.

Quem...

Alma romântica (no sentido literário da palavra) simbolista por escolha, sarcástica por natureza, mal humorada crônica e autista por opção. Basicamente uma mala! Mas pelo menos sou sincera...ou tento.