Não estou certa sobre ele.
Por isso, vem em partes.
Ou não.
É a inspiração para a história do novo ano, afinal, antes, isso deu certo.
A não ser que eu mude de idéia.
Havia um grande lago no caminho.
Diziam, sempre, que uma grande maldição estava escondida em suas entranhas.
Como um polvo, enrodilhado em águas escuras, escuras.
Mas elas não eram tão fundas, como se poderia supor.
Mantinha, o lago, placidamente o seu ofício de esperar.
Se fosse uma pessoa, poderia se dizer que era algo tedioso. Afinal, todos desviavam o caminho. Quase todos, ao menos. A maioria.
Mas o lago, com a sua natureza de ser eterno, apenas esperava.
Muito de quando em quando, um covarde passava por ali.
Era sempre engolido pelo lago, que tragava seu medo. O mesmo medo que o impedia de respirar e socorrer-se.
Simplesmente, a pessoa ia avançando, a passos curtos. E a água, tão plácida e agradável, nem quente, nem fria, ia envolvendo completamente.
Exatamente no meio do caminho, a agua cobria tudo
Um momento só. Tão breve.
Mas o suficiente para que a escuridão envolvesse o coração do viajante. E o seu medo mais escuro observava, bem de perto. Até que a pessoa se esquecesse de respirar. Era tragado pelo medo.
Mas existia o tipo de pessoa com a coragem de um soldado. Aqueles, que não tinham medo nenhum. Apenas por não poderem imaginar. Não tinham escolha, só faziam seguir.
Eles nunca chegavam ao fim do lago. Vez ou outra, a correnteza os devolvia, atarantados, ao ponto de partida. Em outras ocasiões, apenas não conseguiam entrar e atravessar, como se o lago não existisse.
Era por isso que ninguém, ou quase ninguém arriscava-se pelo caminho do grande lago.
Seria uma tarefa hercúlea, se tais pessoas tivessem ouvido falar de hércules.
Curiosamente, o nome do lago era espelho.
Pelo menos, foi o que foi dito para o único que conseguiu atravessar e contar essa história.

