O mundo é o meu umbigo.

Nessa, se o reconhecimento vier, eu não ligo. Pq essa coisa de qualquer semelhança é mera coincidência é coisa de novelas... (não que eu assista novelas... hahahaha)

" Ah, seu blog é fofo."

" Ah, seu blog é emo."

" Ah, seu blog, ele revela que há uma alma gótica por lá."

" Ah, Shenna, PQP. Não me convidou para escrever? Então não faz pergunta difícil. Tenho que revelar as fotos do belfast. HJ.""E eu revelo pelo método antigo, isso aqui é comum. Piadinha e eu BLO-QUE-IO".


Se um dia eu fosse escrever sobre qualquer coisa que é determinante para a personalidade, não falaria de realidade social, pai e mãe, humilhações escolares, ou o diabo que a gente passa todos os dias.Também não falaria da microfísica do poder. Nem, ao menos falaria da modernidade líquida. Eu falaria de livros. Livros de ficção.
E, talvez, em uma instância bem remota (aqui no sentido de inconsciente, ou escondida) eu falaria de conselhos e axiomas dos AMIGOS EXTREMAMENTE CONFIÁVEIS E ADMIRÁVEIS - no caso deste texto, a Conça.
Ás vezes, eu penso que deveria colocar a maldade para fora neste texto. Sabe? eu sou má, mesmo, com orgulho, em um sentido nada remoto. Uma inocente má - e isso não é paradoxo.
Outras, eu queria sentar e escrever um texto engraçado. Puxa, fazer as pessoas rirem.
Parece-me extremamente pedante este espaço de textos tristes
Como se eu fosse uma espécie de alma atormentada que não ri.
Acho que não gostaria de conversar comigo mesmo por aqui.
e DAÍ????

Cara, e daí nada.

E daí, que o deserto é o que me deixa perto perto das obras de ficção que eu adotei como lar. A parte que vem para cá, vem só para cá. Como se eu fosse uma espécie de colcha de retalhos. Aqui, alinhavo retalhos semelhantes. Mas existem outros
Aos borbotões.

É quase nada.
Mas é o que eu não ofereceria a ninguém especificamente.

Qual livro???? DARKOVER. Nem a pau que seria um livro só. Mas um punhado deles.


Mas, sabe? Cansa esse sentido defensivo da modernidade. Cansa-me pensar em coisas que faria, mas não podem ser feitas, pois não seriam entendidas, e o preço a ser pago provavelmente não valeria a pena. Cansa-me o orgulho que nos faz controlar o que os outros pensam, o que os outros sentem, como os outros agem. Cansa-me precisarmos fazer isso, pois, se houver por um momento quem solte os fios dos fantoches, corre o risco de ser soterrado por eles. Cansa-me, andar a lamentar por aqui, ao mesmo tempo que assisto ao GATO FEDORENTO. Humor português, que me faz rir ao mesmo tempo em que o pessimismo reverbera.

O pessimismo dos exilados.
Dos solitários
Dos isolados
Dos orgulhosos
Dos inadaptados e realistas.


O pessimismo de quem deseja e teme a Torre. Ainda mais porque ela não existe.

Ouvindo: eu não consigo odiar ninguém. E acreditando.

LUTO

Estive em um momento de apelo nerd, recentemente. Quase nevava e a noite era cinza, já que aqui nunca anoitece direito. E a minha insônia, imperava, soberana.
Quiz ouvir Bolero de Ravel enquanto desenhava, ou melhor, atacava os pasteis como uma insana sem sono que sou, mas na preguiça acabei por procurar no youtube. E ele me deu uma surpresa.

Maurice Béjart


Há quase um abismo entre essa que escreve da menina loura que queria ser bailarina... Mas as duas se abraçaram de madrugada durante horas, com os vídeos do mestre.

Ele morreu hoje, aos 80 anos. E levou mais um pedaço da menina bailarina. Estou triste. Como disse a Shenna uma vez, é quase como perder um amigo. E um gênio. Ao mesmo tempo.

Historieta III

- Entendes?
- Jura? entendes?
A menina lânguida e alta olhava para o homem a sua frente, como uma criança frente a um doce. Brilhava.
- Mesmo? Ela insistiu, insegura de tudo...
Ele sorria, olhando de lado.
E ela foi se aproximando, devagar, como um coelho do caçador.
As vezes, chegava mesmo a olhar por cima do ombro.
Depois, avançava, sorrindo tímida.
Ele apagou o cigarro, e reparou que ela estava descalço. Poderia, mas não se moveu. Esperava.
Pensou como tudo era bobo, e sem sentido. Pensou ainda que seria fácil.
Mas, quando a menina aproximou-se... E ela era, deveras, quase que realmente menina... Pois quando ela se aproximou de verdade, ao alcance de uma respiração, seus olhos se estreitaram.E seus olhos, que brilharam, envelheceram por menos de um segundo.
-Não... Nada mais doído que essa palavra, baixa, rascante, como um punhal.
Tão rápido que ele não notou quando o solo se abriu e a escuridão o engoliu.
Desapareceu para sempre, e nem percebeu a lágrima da menina.
Uma caçadora cansada, que chorava em silêncio.

sobre um céu de estrelinhas.

Ela estava sentada em uma maca. O teto tinha estrelinhas... Lembrou de outro consultório, com papel de parede colorido de quando era criança.
Ele seguiu o olhar da moça e sorriu: - Meu filho, me deu antes de partir para a França. Estranho, mas não consegui me separar disso. E como estou mais aqui do que em casa...
Deixou a frase em suspenso.
Ela sorriu
Era um daqueles dias de se ancorar no silêncio, pois a alma gritava demais. Tinha MEDO do que saísse dali.
Talvez ele tivesse entendido.
Talvez fosse um ruído social.
Ele voltou ao que fazia
Apalpava, devagar, sério e solene.
- Dói?
Ela balançava com a cabeça, negando.
E ele continuava.
- E aqui?
E novamente, ela fazia que não prendendo os lábios.
Ele olhou, de lado, como quem descobre algo. - Tem certeza?
Ela continuou quieta. Mas fez o sinal com a cabeça confirmando.
Engoliu em seco.
- Tenho.
Ela sabia que era um momento em que deveria tranquilizar a pessoa a frente, e as palavras são rápidas nisso. Não havia sentido desperdiçar mais do que uma, porém.
Ele deu de ombros e virou-se.
- Pode se vestir.
Ela amarrotou aquela ridícula camisola aberta aos seus pés, chutando de leve, com passos de bailarina.
Vestida encarou o homem.
Sem sorrisos. Sem palavras. Apenas respirava.
- Nada tens. Ele disse.
- Não é estranho? Ela comentou.
Ele não entendeu. Perguntou se ela queria um remédio para dor.
- Não doutor, obrigado. A dor é o que eu tenho, afinal.

Partiu, fechando a porta e lembrando-se do céu de estrelinhas.

um bom blockbuster, um clássico incompreendido ou uma modinha.
O que seja

mas que eu ri, eu ri

Quem...

Alma romântica (no sentido literário da palavra) simbolista por escolha, sarcástica por natureza, mal humorada crônica e autista por opção. Basicamente uma mala! Mas pelo menos sou sincera...ou tento.