tecla, tecla, tecla...


estranho, estranho...
Encaro então a tela? Poderia ser o papel? Apesar de todas as críticas que eu tenho ao mundo, vontades de teclar me vêem em frente a tela branca, muito mais frequentemente do que frente ao papel.Só pelo o computador, por hoje amo o século XXI.
Embora, verdadeiramente, ao navegar por aí eu saiba, com certeza, que tem muita gente que escreve melhor do que eu, e portanto, esse talvez seja um esforço inútil, devo usar um mote que me acompanha estes últimos dias: quem liga?
Na verdade, escrevo por um impulso egoista.Escrevo para mim, para fazer falar as inúmeras pessoas que eu podia ter sido. Para, ao ler, poder melhorar. Para poder calar um ímpeto estranho dentro de mim. Às vezes, escrevo na esperança de conversar. Não desejo ensinar, embora deseje, sim, dividir, com quem seja, algo, alguém. Não quero educar, nem bombar contadores.
As vezes, como hj, quero falar sem pensar... pegar um barco e seguir, sem saber direito aonde estou indo, sem verdadeiramente preocupar-se. Aproveitar a vista como um passeio, como se a palavra fosse brisa.
Sei que fica repetitivo, e faz parte do meu jeito, penso, uma vez que, ao passear eu me concentro, por horas em pássaros e gotas. Ainda que ande trupicando.
Me incomoda escrever em primeira pessoa, como uma lunática egoista, que busca encaminhar a todos para um olhar... o meu... eu, eu, eu... anda ecoando por aqui por tempo demais.
Inevitável, entretanto.
Afinal, o deserto também me é um divã seguro. Nada ecoa no deserto, nada aparece. Ele é igualmente paradoxal, frio e quente.Há riqueza entretando, embaixo, escondida. Permite pensar. Dá medo também. Já que muita gente sabe quem sou eu.
Mesmo assim, todo ser humano é complexo demais para temer desnudar-se. Nunca é verdadeiramente real. (redundante, não?)
É como o "verde élfico". Por mais que eu descreva, ninguém vai entender.
No máximo ganho o adjetivo de doida com isso.
Só um rótulo, no fim.
Entretanto, individualismo é algo que preocupa. Ademais, um individualismo covarde como o de nossos dias. Como a covardia é predominante ( e como eu sou repetitiva, escrevendo sobre feridas de despedidas ausentes.) Falta, como disse o ópio, de peleias passionais.
Peleias.
O Deus marte que mora em mim, clama por elas. Por isso, ay gente que não odeio, sem igualmente perdoar.
Por não respeitar códigos de luta.
A vida é batalha, mas existem pouquíssimos espíritos guerreiros. Espero não recuar. E, sei, quase ninguém vai entender o real sentido do que eu escrevi nessa frase.

Acho que esse é o texto mais esquisito que eu escrevi. Quem sabe amanhã eu me supere?
E, quem achar todas as referências truncadas ao Paulo Coelho que pululan, ganha um pirulito de ursinho :D
Bobo e confuso eu sei.
Desculpe, pelo tempo que perdeste, caro leitor, se chegou até aqui.
Sou apenas uma egoísta.

Carina

Carina era uma menina tranqüila. Resolvida a passar pelo mundo como uma folha em branco. Que há de errado com o branco, ela costumava perguntar. Tão plácido, tão tranqüilo. Era o que ela esperava e ansiava.

E assim foi levando a vida, desviando pacientemente de toda e qualquer coisa que pudesse manchar o seu plano.

- Branco, queridos, requer vigilância constante, pois se a vida é uma caixa de tintas, para ela não existe alvejante. Carina repetia constantemente para os seus canários, também brancos, pendurados na janela.

Por muitas vezes, os amigos de Carina preocupavam-se, com tão isolado comportamento. As amigas, com os corações cheios de cores, vaticinavam a vinda de um belo príncipe, para ela. Carina sorria. Sabia que seu plano era mais certo. Olhava com desconfiança a todos os que vendiam o amor e a companhia como cura para todos os problemas.

Estranhos, estranhos, ela repetia. Como jogar a cura, as expectativas, os planos em cima de outras pessoas? A vida já é algo tão bizarro, queridos, como eu poderia lançar mão de todas as coisas que eu desejo para alguém carregar? Como carregar os planos de alguém? Cairíamos todos, destruídos, as tintas tão espalhadas que cor nenhuma se veria. Mais dois zumbis a comprar satisfação e esquecimento.

Não, não, mais vale passar pela vida como se ela nada fosse.

Carina esforçava-se para passar pela vida sem que se prendessem nela. Não desejava prender-se em ninguém também. Não destinava dois olhares a nada. Nada pedia e nada perseguia. Sua única ambição era não desejar, nada procurar, nada que dependesse de alguém que não fosse si mesma.

Um dia, entretanto, como uma flecha, Carina se apaixonou pelo branco de um par de olhos que não eram os seus. Firme como estava, em seu propósito de não sobrecarregar ninguém com seus anseios, Carina, por breves momentos, guardou sua obsessão pelo branco, perdida naquele par de olhos. Nada pedia, decidida que estava em nada esperar.

Entretanto, como uma fome, uma carência foi se instalando dentro dela, sujando com o cinza da insegurança o branco que Carina queria ser.

Ela não via. Estava encantada pelo branco daqueles olhos.

Mas um dia, eles não miraram mais a menina Carina. E sumiram, deixando para trás alguém, que finalmente, ao se mirar no espelho, viu que o branco não estava mais lá. Um grande susto foi o que ela sentiu. Medo, pois não era mais quem queria ser.

Olhar o branco dos pássaros, doía agora. Carina os soltou uma manhã, pela janela do quarto. Tentou conviver com a mancha, mas era dolorido. A causa se fora, mas deixara uma insegurança maior. Uma fome inexplicável. Uma solidão doída. Uma vontade incompreensível. Como se, de repente, ao carregar outras cores junto ao branco que escolhera para si, tivesse se tornado alguém muito pesada para si mesma.

Um dia, cansada de esperar, Carina cobriu todos os espelhos, com lençóis brancos. Fechou todas as portas, desligou o telefone da tomada. Vestiu um vestido que não era mais branco, ligou o chuveiro frio, e ajoelhada sob o jato, Carina sonhou que derretia.

da série gosto mas tenho vergonha...



Como diz um amigo: amo, amo, amo...

orações e novidades.

  • Num súbito impulso de organização, linkei todos os blogs da pasta favoritos neste blog. Nada de eu te linko, vc me linka, pq sou leitora anônima em quase todos eles. Apenas deixei um mapa dos meus cantos virtuais.
  • E ao invés de parar aqui, a dica é ler o blog do Mr. Manson, do cocadaboa. Ele está cobrindo o SPFW. Aqui.

Agora que eu já mandei os possíveis leitores embora, posso passar ao segundo assunto... Há! E quem vier aqui atrás de uma "oração forte para ter o homem amado em 3 dias" de novo, vai quebrar a cara. Ao ver como os incautos acabam perdidos no deserto (pegou, pegou? hahahaha) comecei a pensar sobre isso. Como o meu perfil do orkut - que é a grande fonte de verdade sobre as pessoas que conhecemos - aponta, eu sou uma pessoa, com um "lado espiritual independente de religiões". Isso significa, segundo um amigo, "um anarquista fraco que não conseguiu abandonar as falácias da religião" . Para mim, significa que embora acredite que há algo maior em torno de nossas ações nesse mundinho louco, as tentativas coletivas e dogmáticas de definir, classificar, e até "ganhar dinheiro com o desespero contido dos outros" devem ser vistas com desconfiança.
Enfim, também significa que as orações tradicionais não fazem parte do meu cotidiano. Até pq, também não acredito na idéia de escambo com qualquer tipo de divindade : eu faço isso para vc, vc faz isso para mim.

De qquer jeito ao pensar sobre orações, me dei conta, que existem sim, "orações" na minha vida. Uma é o poema "Prece", do meu amado Fernando Pessoa. Outra, é uma música da banda que ando aficionada nos últimos meses (acho que não vai passar - virou favorita.) É a música Creo.
Ainda que eu prefira sempre trocar o verbo crer por ter certeza.

... (update)

Perdi-me muitas vezes pelo mar
Com o ouvido cheio de flores recem-cortadas
Com a lingua, cheia de amor e de agonia
Muitas vezes me perdi pelo mar
Como me perco no coração de alguns meninos

Porque as rosas buscam em frente
Uma dura paisagem de osso
E as mão do homem não tem mais sentido
Que imitar as raízes sobre a terra
Como me perco no coração de alguns meninos

Perdi-me muitas vezes pelo mar
Ignorante da água
Vou buscando uma morte de luz que me consuma


recebi, por e-mail

  • O autor é Garcia Lorca. Cazuza usou os versos na música Piazzoleando.
  • Não tinha pensado em perder-se no significado bíblico, mas acredito que tenha razão, Selph... Agora a poesia me soa diferente, embora o meu verso favorito permaneça:
"Vou buscando uma morte de luz que me consuma"

Sobre 2 aniversários

8 e 16

O que essas datas tem em comum?

Há! Depende de quem escreve. Já pensaram que tudo, tudo mesmo, depende do ponto de vista, da idéia inicial, de variáveis infinitas?

Enfim, dois aniversários importantes para mim passaram e eu não disse nada.

O primeiro, foi no dia 8. Tenho um primo muito querido que nasceu esse dia. Mas o dia 8 é importante para mim pelo nascimento de uma celebridade. A celebridade!

Quem, Quem, Quem? (credo, peguei todos os chavões de revista de fofoca agora... Sai desse corpo que não te pertence...)

No dia 8 de janeiro, o Elvis Presley nasceu. Eu fui conhecê-lo muito depois de sua morte, e mais tardiamente ainda descobri que minha mãe gostava dele. Elvis representa uma grande mistura de estilos, foi um dos primeiros a fazer isso. A voz grave me agrada, embora ao traduzir, não goste de algumas letras. Também foi um dos primeiros pop stars mundiais. A industria do entretenimento e os jovens enquanto mercado estavam mostrando a que vinham. Virou o rei da era de ouro do Rock. A lenda, com todos os elementos de uma. O homem Elvis me intriga. Vendeu-se sem perceber? Era carente, joguete, ligado com dinheiro? O que era moda e o que era Elvis?

Gosto muito de suas músicas e para mim se há um rei, é ele. Pronto. Gosto, não dá para discutir. Mas também é uma das personalidades do além (ou da terra média, para quem acha que ele não morreu) que eu gostaria muito de conversar. Também vai para a categoria de shows que eu queria ter visto. E, além de tudo o cara era lindo (por um tempo, admito). Não dá para pensar em rock sem passar por ele, mesmo para quem o odeia.

E que pessoa intrigante.

Daria um belo personagem. E foi real.

E 16, ta aí pq é o dobro de 8?

Não. Este blog nasceu no dia 16. Há dois anos, mais especificamente. O terceiro de minha carreira blogística (hahahahahahahaha). E ainda não descobri exatamente o que me motiva a ter um blog. No começo, pq eu entrei para esse mundo como leitora (e ainda o sou – adoro blogs) pensei em como seria legal ter uma panelinha, tipo uma amizade literária da modernidade. Desisti dessa idéia em duas semanas. Não sou organizada o suficiente para manter um blog com tema e toda aquela coisa, nem gregária o suficiente para manter uma espécie de panelinha. Depois, panelinhas me irritam, parece partido radical trotskista ou repartição pública.

Gosto dessa janela. Narcisística e solitária. Gosto dos comentários esparsos. A única coisa que lamento em não ter um blog de sucesso é não colocar aquelas listas de desejos e receber presentes de desconhecidos... hahahahahahahaha

Mas, para ser meu, o blog tinha q ser assim mesmo.

2 anos... Parece que foi ontem.

madrugando

Milagres não se repetem. Só as decepções.
Mas existem milhares de milagres diferentes...

tarde ociosa.



deu ataque de hello kitty!
Mas adorei esse videozinho.

Um e bloody diamonds.

O livro e o filme.

Essa semana encarei a segunda feira com reverência (bem, não exatamente, pois não sei que dia é hj, desde que entrei em férias.)

Enfim, tinha lido um livro inspirador. Somos todos um, era a frase final. O amor, portanto, era a chave de existência para levar essa massa amorfa de seres humanos a algum lugar. Era perturbador também, pois partia da premissa que poderíamos encontrar a nós mesmos alternativos (nada que não se tenha lido em gibis marvel). Fiquei pensando muito, nas inúmeras eu que existem. Que tomaram decisões diferentes, como casar, engravidar, abandonar a família para trabalhar na índia, formar-se em computação, salvar baleias, suicidar-se... Enfim, milhares de coisinhas pequenas e determinantes.

Pensava em quão afortunado deve ser dividir-se. Sem amarras, sem medos, olhar de frente o todo...

E hoje, na tela, ao assistir sobre os diamantes sangrentos, Moral americana, o homem mal que faz algo muito bom e salva uma família, que acaba dando uma sensação de redenção para todos. Filme para chamar atenção de pessoas como nós, tão embotadas da dura realidade. E para ser assimilado depois no meio dos problemas cotidianos tão maiores do que tudo, como fome, guerras civis. Problemas discutidos na tv, sobre vidas que não valem o significado da palavra. Números estatísticos que a maioria de nós jamais vai ligar a qualquer coisa. Se formos todos um, uma grande parte está doente. E me dói perceber que há pouco a ser feito. Devo estar ficando velha demais para acreditar na revolução como responsabilidade individual.

Ainda quero revolucionar a mim, mas isso às vezes parece tão pouco!

auspícios...


O ano começou e no meu egocentrismo característico podia falar de mim e se estou cumprindo minhas decisões e planos para o ano novo.
Entretanto, algo, ainda em 2006 me marcou profundamente (viu, o egoísmo ainda impera!) Foram as imagens do enforcamento do Sadam.
Antes, uma pausa.
Tá, eu sei que o cara era péssimo. Ditador, sanguinário, com pouco ou nenhum respeito por direitos que não fossem a sua vontade.
Mas, aquela imagem despertou uma melancolia tão grande...
Século XXI e os EUA dispõe e descarta uma vida com facilidade. Com o pinochet, foi muito difícil, mas ele não era bode espiatório.
Séc. XXI e vemos um homem ser enforcado com a mesma passividade em que assistimos enchentes e ônibus carbonizados.
Enfim. Ainda Hoje Gandhi seria considerado um louco revolucionário.
E, com 300 anos entre uma coisa e outra, estamos cada vez mais afastados dos ideais iluministas de igualdade,liberdade, fraternidade.
Triste.
E uma estranha pista do que será 2007.

Quem...

Alma romântica (no sentido literário da palavra) simbolista por escolha, sarcástica por natureza, mal humorada crônica e autista por opção. Basicamente uma mala! Mas pelo menos sou sincera...ou tento.